Cirurgia metabólica é uma das opções de tratamento para diabetes

Procedimento é indicado para o tipo 2, que está relacionado à obesidade

Estima-se que haja cerca de 14 milhões de diabéticos no país ou 12% da população adulta. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes apontam que o Brasil é o quarto país no mundo com maior incidência da doença. A diabetes do tipo 1 corresponde a 10% dos casos e atinge principalmente crianças e adolescentes. Sede, excesso de urina e cansaço são alguns dos sintomas comuns ao problema. Já os outros 90% dos casos são de diabetes tipo 2. Atinge, normalmente, pessoas com mais de 40 anos e está relacionada à obesidade e sedentarismo. Porém, diferente do que ocorre no tipo 1, as pessoas que têm diabetes tipo 2 não costumam apresentar sintomas no início da doença.

 A médica endocrinologista Daniele Tokars Zaninelli, que integra a equipe do Centro VITA de Tratamento da Obesidade e Diabetes, do Hospital VITA localizado na BR-116 – Linha Verde Norte, explica que uma das opções para tratar o tipo 2 é a cirurgia metabólica, que tem como objetivo específico tratar e controlar síndromes metabólicas, que têm como principal característica a resistência insulínica.  O procedimento pode ser indicado para o tratamento de pacientes com o problema associado à obesidade grau 2 (IMC entre 35 e 40Kg/m2) com controle inadequado dos níveis glicêmicos apesar do tratamento clínico,  ou à obesidade grau 3 (IMC maior que 40Kg/m2), independente do nível de controle do diabetes.

 A especialista conta também que o procedimento deve ser indicado  preferencialmente abaixo dos 60 anos, e em casos de diabetes de início mais recente, pois esses são os pacientes que mais se beneficiarão”, destaca.

insulin-syringe-1972788_960_720Foto: Pixabay

Benefícios – A perda de peso leva à melhora do controle metabólico do paciente diabético. Há melhora da sensibilidade à insulina e da função das células beta, com melhora da secreção de insulina pelo pâncreas – lembrando que a insulina é o hormônio responsável pelo controle dos níveis de açúcar no sangue.  “Os pacientes devem estar cientes que é provável que precisem repor vitaminas e minerais por meio do uso de suplementos por toda a sua vida”, destaca. De acordo com a médica, a pessoa necessita manter avaliações periódicas para o controle das glicemias, de complicações crônicas do diabetes e do estado nutricional. “Mesmo pacientes que conseguem ficar sem medicações específicas para o diabetes no pós-operatório deverão ser monitorados para detecção de recidiva da doença ao longo do tempo”, complementa.

A endocrinologista conta que o tratamento cirúrgico não garante a cura do diabetes, mas traz melhora no controle metabólico em uma quantidade expressiva de pacientes, por um período de tempo que não pode ser previsto com exatidão. “Estudos recentes demonstram que, mesmo aqueles que obtiveram melhora do diabetes no pós-operatório, podem voltar a manifestar a doença ao longo do tempo”, revela. A médica conta ainda que quanto maior a perda de peso, maiores serão os benefícios da cirurgia, e por isso os grandes obesos são os que possuem a melhor indicação para esta modalidade terapêutica.

O especialista em cirurgias do aparelho digestivo e bariátrica e membro da equipe do Centro VITA de Tratamento da Obesidade e Diabetes Glauco Afonso Morgenstern, conta que o uso do procedimento para o tratamento da diabetes tipo 2 surgiu após observar-se que ao fazer uma cirurgia bariátrica em pacientes com IMC maior que 35 e portadores do tipo 2, estes apresentavam uma melhora do diabetes logo após o procedimento, geralmente entre três a cinco dias após. “O paciente nem havia perdido peso ainda, e já se observava uma melhora da glicemia (glicose no sangue)”, explica. Segundo ele, os primeiros estudos foram feitos, e mostraram que na verdade existem alterações hormonais que acarretam a melhora do diabetes. Além disso, resulta em melhora de outras alterações metabólicas, como hipertensão arterial e dislipidemia (aumento de colesterol e triglicerídeos). “Não somente a restrição calórica e perda de peso, mas o rearranjo intestinal em algumas técnicas cirúrgicas, como bypass gástrico – principal técnica utilizada no Brasil, na qual é  diminuído o tamanho do estômago e feito um desvio instestinal), estão envolvidos na rápida melhora do diabetes”, explica.

Um dos estudos mais importante, o STAMPEDE, realizado nos Estados Unidos, mostrou ao longo de três anos, os pacientes cirúrgicos exibiram maior redução da hemoglobina glicada  em comparação com pacientes clínicos. Em 2015 foi realizado em Londres um encontro de cirurgiões e endocrinologistas em que ficou claro que a cirurgia apresenta melhores resultados que o tratamento clínico em pacientes selecionados.

 

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