Dicas e curiosidades sobre o mundo dos vinhos

Guilherme Grando, sommelier diretor da Vinícola Villaggio Grando, fala sobre algumas curiosidades que vão fazer você se apaixonar ainda mais por este universo

É cada vez maior o número de pessoas que adora tomar vinho. Mas, nem todos os apreciadores entendem este universo. Guilherme Grando, Sommelier e Diretor Comercial da Villaggio Grando, vinícola localizada na cidade de Água Doce, em Santa Catarina, esclarece algumas das principais dúvidas dos consumidores e traz algumas curiosidades e dicas que vão deixar a experiência de tomar vinho ainda mais especial e gostosa.

– Aquela bombinha para tirar o ar do vinho, depois de aberto, realmente funciona?

Sim. É uma excelente opção para quem gosta de tomar vinho todos os dias, mas que não toma a garrafa inteira. A bombinha tira o oxigênio da garrafa quase que por completo, evitando o processo de oxidação e mantendo o vinho bom pelo período de 2 a 3 dias. É claro que a cada dia que passa a qualidade da bebida se perde, mas a bombinha ainda é a opção mais viável e barata para quem quer guardar a garrafa aberta.

– Depois de aberto, quando tempo o vinho dura na geladeira?

Minha dica é não armazenar a bebida na geladeira, com exceção dos vinhos brancos. Ao gelar o vinho, você está modificando a sensação dos taninos e a acidez da bebida, por exemplo. Para os tintos, isso é bem prejudicial no paladar. A ideia é manter o vinho na adega ou em locais frescos e sem a luz do sol.

– Qual a temperatura ideal para servir vinho e espumante?

Depende do corpo do vinho, do teor alcoólico, entre outras características. De forma genérica, os brancos e espumantes devem ser resfriados na geladeira e os tintos precisam estar entre 16 e 18 graus. Mas lembre-se de não deixar os espumantes e brancos tão gelados para não se perder aromas e sabores que só sentimos quando estão em temperatura acima dos 6º C.

– Para que serve um decanter?

Na teoria, a função é deixar os vinhos mais velhos ou sem filtração, para que decante os sedimentos que contêm no líquido. No entanto, ele costuma ser utilizado para arejar os vinhos, fazendo com que se abram os aromas e sabores, provocando uma rápida oxidação em contato com o ar. Isso faz com que o vinho mostre de forma mais rápida algumas características que só seriam possíveis com o passar do tempo. Mas é importante saber que não é a mesma coisa do que deixar a garrafa envelhecer na adega.

– Qual é a função do corta-gotas?

Essa foi um ótima invenção para não sujar toalhas e roupas! O corta gotas proporciona um melhor fluxo do líquido e impede que ele pingue ao final de cada taça servida. É um objeto muito funcional.

– Por que manter o vinho deitado e o espumante em pé?

Ambos devem ficar deitados. A rolha precisa estar sempre em contato com o líquido para não fique ressecada e, assim, evita a entrada de ar, a oxidação do produto e até mesmo o vazamento da bebida.

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– O que é Terroir?

É a junção de todas as características de clima e geografia que fazem de uma região propícia ou não para o cultivo de determinados produtos agrícolas, como a uva, por exemplo.

 

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– Espumantes tem prazo de guarda? Ou devo comprar sempre a safra mais atual?

Depende do processo no qual foi produzido. A maioria dos espumantes é feito para consumo rápido. No entanto, alguns são feitos pelo método “champenoise”, podendo evoluir e melhorar muito ao longo dos anos. É sempre bom ler os rótulos.

– Para guardar vinhos, é preciso ter uma adega em casa? Quais as condições mínimas?

Uma adega é a condição ideal de umidade e calor para armazenar vinhos. Mas, se você não tiver uma adega, não se preocupe. Procure um local fresco e sem luz do sol. Lembre-se que a principal condição é não ter variações grandes de temperatura, como é o caso das cozinhas, por exemplo.

– Como saber se as “bolhinhas” do espumante são Co2 ou provenientes de um processo natural?

Quando as leveduras se alimentam do açúcar natural da uva, elas são transformadas em álcool, calor e gás carbônico. É esse gás que chamamos de “perlage” ou “borbulha” dos espumantes. Geralmente, quando estamos apreciando um espumante bem elaborado, sua perlage é fina, intensa e contínua, diferente de uma borbulha larga de gás injetado, como em refrigerantes, por exemplo.

– A adição de gás carbônico ou de açúcar pode fazer mal à saúde?

Estes processos tiram a naturalidade do produto e comprometem a qualidade final da bebida.

– O que muda entre frisante, asti, espumante e champagne?

O frisante é um vinho com certa quantidade de gás, muita vezes injetado. O asti é, na realidade, um processo em que se fermenta em autoclave o mosto, produzindo em único processo o vinho espumante. Já o espumante é quando fazemos primeiramente o vinho base e, depois, a espumatização, que pode ser feita em autoclave (método charmat) ou na garrafa (método champenoise ou tradicional). Já o champagne é o termo que usamos para os espumantes feitos em método champenoise dentro da região demarcada de Champagne, na França, com as uvas chardonnay, pinot noir e pinot meunier.

– Qual a diferença entre icewine e late harvest?

O icewine é produzido a partir de uvas congeladas pela neve em temperatura e condições climáticas pré-determinadas. Apenas congelar as uvas para depois vinificá-las não faz de um vinho um icewine. As duas regiões mais famosas por essa bebida são Alemanha e Canadá. Já o Late Harvest, ou Colheita Tardia, pode ser feito sob vários métodos e em diferentes regiões propícias. Sua principal característica é que é feito com uvas deixadas nos vinhedos para supermaturação. São uvas colhidas geralmente em processo de pacificação, concentrando assim sua doçura, corpo e aromas.

– É verdade que os brancos não são vinhos de guarda?

Geralmente sim. A maioria das regiões do mundo não consegue produzir vinhos brancos com características que o permitam evoluir.Porém, indo contra, nossa vinícola tem exemplares com 10 anos de idade que estão melhores a cada ano. Isso se explica pois estamos localizados em uma das poucas regiões onde os brancos são de extrema guarda. Aliás, estes são nossos melhores vinhos.

  – Por que a altitude é boa para os vinhos?

É ela que determina e cria as condições climáticas que favorecem o cultivo. Os fatores que fazem do local um grande e potencial terroir para uvas, são a amplitude térmica, os invernos rigorosos e os verões quentes, sem chuva em épocas de colheita.

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  – O que faz com que uma safra seja boa?

Precisamos de invernos rigorosos, verões quentes e secos e chuvas fora da época de maturação. A safra precisa de um ciclo de estações bem definidas e quase perfeitas.


– O que é melhor: rolha ou screwcap?

Dizem que o enólog0 avalia seu vinho pela rolha. Se não se economiza na rolha é porque o vinho merece. A rolha de cortiça permite a evolução e microoxigeranação para que o vinho possa melhorar com o tempo. Já o screwcap deixa o vinho totalmente vedado. No que se refere à vedação, o segundo é melhor. Mesmo assim, ainda preferimos a rolha, sem dúvidas.

Conheça a vinícola Villaggio Grando: http://www.villaggiogrando.com.br

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