Dependência química

A dependência química é uma triste realidade na nossa sociedade e, infelizmente, está cada vez mais frequente. As substâncias químicas capazes de causar dependência são muitas. As mais conhecidas são álcool, anfetaminas, cafeína, cannabis (maconha e haxixe), cocaína, crack, alucinógenos, inalantes, nicotina, opióides, fenciclidina, sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos e esteróides anabolizantes. Todas elas causam prejuízo orgânico e psicológico em curto, médio ou longo prazo. O álcool, por exemplo, está associado a avitaminoses com prejuízo cognitivo permanente e altos índices de câncer, doenças cardíacas e hepáticas. Além disso, o prejuízo torna-se ainda maior porque a dependência dessa substância tem forte ligação com o uso de drogas ilícitas.

No meu consultório percebo que é muito mais comum o que defino como “polidependência” do que a dependência por apenas uma substância. Outra percepção importante é que dificilmente a dependência química vem desassociada de algum problema psíquico, e o mais comum é a co-morbidade com ansiedade e, ou, depressão, mas também com transtornos de personalidade. O ideal é tentar estabelecer o problema primário, mas para isso é imprescindível que haja um período considerável de abstinência.

A epidemiologia da dependência de substâncias psicoativas é assustadora. O Brasil lidera índices preocupantes no mercado mundial principalmente no consumo de cocaína, maconha e ecstasy. Os dados mais recentes apontam que houve um aumento considerável do acesso precoce a bebidas alcoólicas e drogas ilícitas na nossa sociedade e isso é muito preocupante. Presencio quase que diariamente a banalização do uso de drogas lícitas ou ilícitas, principalmente, pelos adolescentes. Geralmente, o discurso é que para fins recreativos não há problema algum e que sabem se controlar

porque não são dependentes. Tenho recebido no meu consultório muitos pais preocupados com o caminho que seus filhos estão seguindo em relação ao uso de substâncias e me perguntam se é tão ruim assim usá-las. A sociedade não pode aceitar a dependência química como algo normal e que faz parte de uma fase da vida do indivíduo. O porque dessa, eu diria, “negação” dos últimos tempos de que droga não causa assim tanto prejuízo, seria um assunto extenso e extremamente complexo para abordar aqui.

O fato é que a dependência química, independente da substância, é prejudicial em um âmbito global do funcionamento de quaisquer indivíduos, sendo na esfera física e, ou, emocional. O prejuízo pode não aparecer logo, mas certamente se o padrão de dependência for mantido ele será inevitável e muitas vezes irreparável, podendo causar a morte. Em relação ao tratamento existem muitas possibilidades, mas a abordagem ideal é sempre multidisciplinar. O leque de possibilidades é realmente grande com diferentes técnicas ou procedimentos específicos, incluindo a abordagem farmacológica e diferentes programas de tratamento. O psiquiatra saberá definir o tratamento ideal para cada caso e acredito que a familia ou as pessoas mais próximas são muito importantes para o processo de melhora. Porém, o primeiro passo para deixar a droga é ter motivação para tal.

Perca o medo e o preconceito. Não perca tempo. Procure um psiquiatra.

Mais informações: http://www.desvendandoapsiquiatria.com.br.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s