A singularidade do ser mulher

Mães, casadas, solteiras, de diferentes classes sócias, profissionais ou donas de casa. Quem são essas mulheres que enfrentam incansavelmente uma tripla jornada todos os dias? Que vão à luta, cuidam dos seus como leoas e com aparente fragilidade dominam a arte de ser mil em uma. São exemplos de mulheres que, em um século, atingiram patamares de poder e participação na sociedade, antes inimagináveis. Estas mesmas mulheres que durante quase toda a história da humanidade não tiveram voz, que não foram representadas ou respeitadas e que hoje são, em muitas situações, as provedoras da família e tomadoras de decisões.

Claro, ainda não se chegou, nem de longe, ao ideal em relação aos seus direitos. Milhares de mulheres pelo mundo sofrem diariamente com a discriminação, equiparação salarial, abusos, violência e desigualdade. Mas, aos poucos, estão trilhando uma trajetória em busca de uma sociedade mais justa. E este é um caminho sem volta, pois sempre há e haverá mulheres lutando e conquistando novos espaços. Desta forma, a mulher atual vive um modelo de conduta em constante construção, pois ainda há muito mais a ser conquistado, entendido e estabelecido.

Mas, para entendermos um pouco mais sobre a trajetória deste ser singular, chamado mulher, precisamos voltar um pouco no tempo. E para isso, buscamos informações com o psicoterapeuta, Ivo Fachini. Confira!

Antes, agora e amanhã

Ao longo da história humana o papel da mulher passou por mudanças profundas. Numa primeira fase, lá nos primórdios, elas tinham a supremacia, sob o amparo das deusas poderosas que as brindavam com a gravidez, o homem ocupando papel secundário.

Segunda fase: descobre-se que é o ato sexual que origina a vida, não mais as deusas, e o homem, portanto é o detentor do poder de fecundar. Seguem-se milênios de machismo, a mulher passando a condição inferior, longe dos setores como a cultura, a política, a religião, a economia, o direito, submissa e dependente do homem. Coube a ela o papel de esposa e mãe, dona de casa, servidora do marido e dos filhos. A religião contribuiu para a manutenção do machismo, postulando que era desígnio divino, portanto inquestionável. Deus é Pai e não Mãe, Filho e não Filha, e Espírito Santo. A mulher não representa Deus, só o homem, pois este é o detentor da semente da vida.

Com a descoberta do óvulo, apenas em 1829, inicia-se a terceira onda. A mulher tem a semente, sim, o óvulo, e começa então o declínio do machismo onde a cultura prosperou. Igualdade de direitos, de valores, e de oportunidades. Com o tempo, nem feminismo, nem machismo. Tarefas partilhadas, vicejando o casamento como a célula mater, a família.

Uma quarta revolução, mais recente, é a liberação do prazer sexual feminino, antes restrito à função procriadora. Como não havia controle da fertilidade, qualquer ato sexual poderia resultar em gravidez, pesando sobre ela as consequências quando o homem se omitia de assumir a paternidade. Por isso ela aprendeu a reprimir o prazer. Com o controle da fertilidade, tudo mudou. Ela libera seu direito ao prazer.

Uma quinta fase está emergindo, com a ideia de plena liberdade de escolhas, de casar ou não, ter filhos ou não, e o reconhecimento de grupos sexuais distintos, que sempre existiram, mas eram reprimidos e agora vem à tona com força, até com certa apologia. Aquele padrão de família, de casal unido até que a morte os separe sofreu muitos revezes, separações e novas uniões. Muita gente se sente perdida nesta nova fase de liberdade afetiva e sexual. A família tradicional não acabou, mas as variações são muitas.   

Bem, o que é ser mulher hoje? É superar todas as fases anteriores, assumir múltiplos papeis, ter autonomia, inclusive financeira, ou parceria justa. É dividir as tarefas. É ser cidadã, profissional, mãe, esposa se assim decidir, ter autoestima, liberdade, e nenhum sentimento de inferioridade. É ter acesso a tudo o que é seu direito. Em igualdade de condições. É o direito à felicidade. É o direito às recompensas que a vida oferece a quem faz por merecer. É ter orgulho de ser mulher. A propósito, sugerimos o livro com este título, de Shere Hite, “Orgulho de ser mulher”. Vale a pena. Com absoluta certeza Deus não criou a mulher inferior ao homem. Quem fez este estrago fomos nós mesmos, não Deus.  

 

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