Precisamos falar sobre suicídio

Sei que o assunto não é nada confortável, mas percebo a importância do tema nesse momento. Têm sido frequente notícias sobre suicídios e temo que o assunto caia na banalidade sem que realmente pensemos sobre ele. Os dados são realmente alarmantes e toma contorno de epidemia. Precisamos aprofundar o assunto para entendermos um pouco mais sobre a questão, talvez muito mais complexa do que imaginamos. Quanto mais soubermos e falarmos sobre isso, mais conseguiremos evitá-lo. É uma questão de responsabilidade social. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 90% dos suicídios podem ser prevenidos.

O suicídio é um fenômeno complexo e infelizmente ainda cercado pelo desconhecimento, medo, preconceito, incomodo e atitudes condenatórias em relação a ele. Essa questão ainda é vista como um problema individual e isso dificulta muito o seu entendimento como um problema que na verdade afeta toda a sociedade. O suicídio é um problema de saúde pública. Para que haja melhora dos seus índices, é necessário mudar a visão da população com isso acredito que consequentemente haverá mais atuação de pessoas de diferentes setores da sociedade na sua vigilância, prevenção e controle, inclusive você.

Acredito que o tabu diante do tema exista porque muitos ainda enxergam o suicida como um fracassado. Diversas crenças religiosas sentem-se agredidas pelo suicídio. Além disso, as pessoas em geral ficam desconfortáveis para falar sobre morte porque acabam expondo seus limites e fraquezas.

Para saber um pouco mais sobre a história do suicídio, a palavra suicídio vem do latim “auto assassínio” e foi utilizada pela primeira vez no século XVII, na Inglaterra (1642). Desde a antiguidade o suicídio sempre foi muito contraditório seja no campo sociocultural, econômico, filosófico, político ou religioso. Em algumas sociedades era visto como ato de heroísmo, em outras, ato de liberdade ou reprovação social, mas o suicídio foi quase sempre objeto de reprovação social.

Existe uma diferença entre pensar em suicídio e expressá-lo na ação. Alguns indivíduos têm ideias de suicídio esporádicas ao longo de suas vidas, mas que nunca levaram adiante; outras, podem planejá-lo durante anos, meses, semanas ou dias; e outras, ainda, cometem suicídio por impulso, geralmente mediante a algum tipo de transtorno de personalidade instável ou por intoxicação exógena por álcool, medicações e/ou outras drogas.

Sempre comento com meus pacientes com ideação suicida que o suicídio tem também um impacto indireto, ou seja, para cada suicídio cinco a dez pessoas próximas sofrem graves consequências psicológicas, econômicas e sociais. Essas pessoas são as chamadas sobreviventes e, por isso, não é um problema apenas individual.

É surpreendente, mas a cada ano há em torno de um milhão de mortes por suicídio no mundo, representando uma morte a cada segundo. Para cada morte houveram 26 tentativas. Cerca de 32 brasileiros morrem por dia vítimas do suicídio. Ocorre 1 suicídio a cada 40 segundos. A média brasileira é mais baixa do que em outros países, mas o que chama a atenção é que a prevalência tem aumentado muito e quanto que em outros locais a média permanece estável.

Um índice alarmante em relação ao suicídio foi publicado pela OMS. As taxas de suicídio entre crianças e adolescentes cresceram no Brasil entre 2002 e 2012. Dos 10 aos 14 anos 40% e dos 15 aos 19 anos 33,5%. Se o suicídio entre adultos já está cercado por silêncios e tabus imaginem entre crianças e adolescentes. Além disso, é provável que esse índice seja ainda maior na medida em que os estudos nessa faixa etária são escassos e morte abaixo de oito anos é automaticamente classificada como acidente. É fato que a sociedade em geral não aceita a
ideia de que uma criança possa querer se matar e que os pais tendem a negação, mas eles o fazem.

Esses são apenas alguns dados em relação ao suicídio no mundo e no Brasil. Existem ainda diversos estudos em andamento e outros muitos já estabelecidos, fato é que o suicídio é um problema de saúde pública e que pode ser evitado.

Os dados epidemiológicos em relação ao suicídio estão resumidos no meu site
http://www.desvendandoapsiquiatria.com.br e a evolução do perfil é assustadora. Vale a pena conferir para que consigamos identificar pessoas potencialmente suicidas na sociedade e ajudar de fato. Existem diversos estudos em andamento e já estabelecidos no mundo e no Brasil. O fato é que o suicídio é um problema de saúde pública e que pode ser evitado!

INFORME-SE E FALE SOBRE O SUICÍDIO, POIS ESSA É A MELHOR SOLUÇÃO.
PERCA O MEDO E O PRECONCEITO, NÃO PERCA TEMPO. PROCURE UM PSIQUIATRA.

Por

Dra. Vanessa Adegas Menin

Psiquiatria e psicoterapia

Clínica de saúde mental – Rua Antônio Manuel Moreira, 140 – Itajaí

(47) 4141.8781  (47)99641.8781 

clinsam.dap@gmail.com

http://www.desvendandoapsiquiatria.com.br

Instagram: vanessapsiquiatra

Youtube: Desvendando a psiquiatria

 

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