Comer, beber e amar

Desde que comer e beber evoluíram de um ato de saciar a fome e a sede, e o amar deixou de ser apenas ao próximo, essas três palavras se uniram para formar um trinômio que formam a essência da vida. Como não nos enlevarmos pelo aroma de um café passado na hora e do pão saindo do forno? E o que dizer do sabor desse pão recheado com uma deliciosa mortadela, com a gordura a escorrer pelo queixo e o café por cima. Do prazer de sentarmos à mesa com a família, rindo, comendo e bebendo maravilhosamente bem em uma ode à vida. Não
importa quais sejam as suas crenças, mas a vida nesse plano é uma só. Por isso, não serão os ecochatos e hipócritas de plantão que vão me impedir de comer vitela ou ovas, como também não vejo problema algum em comer tatuíras, ostras e vieiras vivas direto do mar, ainda pulsando de vida. Também não quero abdicar dos sabores do inverno, repletos do cheiro de ervas, dos queijos e das nossas ótimas cachaças, cervejas artesanais e vinhos, de panelas maravilhosas borbulhando e das tortas que adoram. Alimentos ricos em glicose, gordura animal, glúten e lactose em troca de uma imagem no espelho ou de uma morte saudável. Antes uma vida feliz. Chega o verão o famoso chef Anthony Bourdain que, recentemente, nos deixou tinha entre seus dogmas “O seu corpo não é um templo é um parque de atrações. Aproveite-o até o fim”. Agora neste inverno comece o dia com uma boa caminhada para tirar a preguiça. Depois coma, beba e ame sem culpa.

Antes do almoço: abra um círculo de massa folhada e coloque um queijo brie ou camembert. Por cima cubra com geleia de camu-camu e feche a massa folhada, pincele com uma gema e leve à geladeira por meia hora. Enquanto isso, ponha 1 kg de batata-baroa inteira para cozinhar. Rale no ralo grosso e tempere com sal, pimenta do reino, noz moscada, azeite e alho. Faça quatro bolinhos redondos, como se fossem hambúrgueres. Doure em azeite dos dois
lados e reserve no forno. Cozinhe por 5 minutos. Retire e deixe esfriar. Asse o folhado no forno a 180 graus até que fique dourado e sirva com entrada.

Para o prato principal separe por pessoa 4 costeletas duplas de cordeiro, tempere com sal e pimenta do reino e doure em azeite por 3 a 4 minutos de cada lado. Escorra o excesso de gordura, junte uns três dentes de alho picados, 2 ramos de alecrim e um pouco de cerveja preta estilo bock. Reduza e junte duas caixinhas de molho madeira (caso você tenha o seu fundo escuro feito em casa melhor ainda.) Sirva o cordeiro com a baroa rosti e o molho.

Para finalizar: ponha em uma forma com fundo falso, untada com manteiga e farinha de trigo, um disco de massa doce (ou feita em casa ou comprada pronta da Arosa). Prepare o recheio: misture 125 gramas de farinha de amêndoas, 125 gramas de manteiga sem sal, 125 gramas de
açúcar, 1 ovo, 5 gotas de essência de baunilha. Fatie 4 maçãs verdes e disponha sobre o recheio. Leve ao forno 180 graus por 25 minutos ou mais. Espere esfriar e sirva.

Para beber: antes de começarmos os trabalhos vamos tomar um “quebra gelo” como diz o meu cunhado. Para isso sugiro uma cachaça envelhecida de Luís Alves ou de Antônio Carlos. Com a entrada um sauvignon blanc, da vinícola Villagio Grando. Para o prato principal um malbec Francês e terminamos com um Gewuztraminer, da região da Alsácia. Bon apetit a tous e vive la vie. Santée!

Por

Renato Justo

Chef de Cozinha

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