Entre bolhas e borbulhas

Está chegando aquela que, para muitos, é a estação mais esperada de todas: o verão, que no hemisfério Sul coincide também com o Natal e o final do ano. E que ano!!! 2018 vai entrar – já entrou – para a história como um dos anos mais complicados do século e oxalá tão cedo não tenhamos outro igual.

Falando apenas de Brasil, nesse ano o país simplesmente parou. Só se falou de política, amigos brigaram, familiares deixaram de se falar e, enquanto isso, atravessamos uma das maiores crises econômicas e morais de que se tem notícia e quase nos enveredamos por uma trilha que fatalmente iria nos levar para um grande buraco negro do qual nunca mais sairíamos. Mas felizmente acabou. Agora vamos comemorar e festejar porque ninguém é de ferro.
Vamos estourar o champagne e deixar que aquelas bolinhas nos façam ver estrelas. Sobre ele Winston Churchill dizia “Merecido na vitória e necessário na derrota”. Nos anos 70, em plena ditadura, Zózimo Barroso do Amaral, colunista social do Jornal do Brasil já dizia: “Enquanto houver champagne, há esperança.”

Mas, antes, é bom que saibam que nem todo vinho espumante pode ser chamado de champagne. Champagne é o nome dado à uma região do nordeste da França e somente os vinhos espumantes feitos naquela região podem ser assim denominados. Em sua confecção normalmente entram as uvas Chardonay, Pinot noir e Pinot meunier. Os outros são chamados apenas de espumantes. Entre esses, vale a pena destacar a Cava, feita na Espanha com as
cepas Macabeo, Parellada e Xarel-o. Na Itália temos o delicioso Prosecco que muita gente não sabe – talvez você também não – é feito com a uva de mesmo nome. Em Portugal temos o vinho verde que é produzido apenas na região entre os rios Douro e Minho. E em sua confecção entram as castas Alvarinho, Loureiro e Arinto. Apesar de não ser exatamente um espumante ele é levemente frisante.

Frisante? O vinho frisante é aquele em que não ocorre uma segunda fermentação resultando em um vinho com menos gás carbônico ou “bolhinhas” e com menos teor alcóolico. No Brasil destacam-se os espumantes feitos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Na região nordeste no vale do rio São Francisco o destaque vai para os espumantes doces feito com a uva moscato e que normalmente são servidos em festa de casamento para serem consumidos com o bolo. Há quem goste, mas é melhor deixar pra lá.

Na cozinha o camarão ao champagne, é quase uma unanimidade e a receita é simples: grelhe no azeite, meia dúzia de camarões grandes, descascados. Junte uma taça de champagne e deixe reduzir e finalize com uma colher de sobremesa de nata. Deixe engrossar um pouco e sirva com arroz de amêndoas. No meu restaurante eu acrescentava algumas fatias de maçã verde. Além disso, vários drinques podem ser preparados com o champagne, como o Kir que
leva espumante e licor de cassis ou o Kir royal esse sim feito da mesma forma, mas com um legítimo champagne, o Belini que mistura champagne com suco de pêssego e mais recentemente o Black Velvet uma mistura de cerveja estilo Dry stout com champagne em partes iguais. Mais recentemente, um drinqye que está fazendo bastante sucesso é o Aperol: que mistura Proseco, Aperol, laranja em rodelas e gelo. Finalizo essa coluna com um convite a
um brinde! Se não achar um motivo que tal mais um dia vivido e entre bolhas e borbulhas sejamos todos felizes.

Por

Renato Justo

Chef de Cozinha

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