Como melhorar as taxas de cura do paciente com câncer de pâncreas?

O pâncreas é uma glândula, tem a função endocrina (produz hormônios, exemplo a insulina) e função exócrina (produz enzimas para a digestão). Quando o câncer acomete o pâncreas a taxa de letalidade (morte causada pela doença) é de cerca de 95%. Isso decore de vários fatores, dentre eles: características biológicas do tumor, da sua localização, e do diagnóstico tardio. O “november purple” é um movimento internacional que tem o objetivo de informar chamar a atenção da população para o câncer de pâncreas.

O Globocan (Global Câncer Statistics 2018) estima que a incidência do câncer de pâncreas para 2018 seja de cerca de 460 mil (2.5% de todos os cânceres) e a mortalidade de 432 mil casos por ano (4.5% de todos os óbitos por câncer).

Muitas vezes o diagnóstico é feito tardiamente com a lesão já localmente avançada (invadindo estruturas que não podem ser ressecadas) ou quando o tumor já se espalhou para outros órgãos, exemplo fígado.

Os fatores de risco são o uso do tabaco (30%), obesidade (12%), história familiar e a pancreatite crônica. Pela localização do pâncreas no retroperitônio os tumores demoram para causar sinais e sintomas, os principais são dor por invasão do plexo celíaco (nervos que passam ao redor do órgão), náuseas e vômitos por invasão do estômago ou duodeno, icterícia (chamado de amarelão), fezes esbranquiçadas (acolia), urina escura (colúria), isso decorre da infiltração do canal da bile (ducto colédoco), falta de apetite por liberação de substâncias pelo tumor que causam saciedade, levando a perda de peso involuntária, fraqueza e fadiga crônicas.

O tratamento tem evoluído muito nos últimos anos e resultados de estudos foram mostrados no último congresso da International Hepato-pancreato Biliary Association realizado em Genebra na Suíça. O câncer de pâncreas tem a cirurgia como a única forma de tratamento curativo, e quando essa é realizada por especialistas em câncer melhora as taxas de ressecabilidade, diminui as taxas de complicações e a mortalidade operatória, e isso, eleva a taxa de sucesso do procedimento.

As lesões que no passado eram consideradas irressecaveis e sem chances de cura, agora têm mostrado boas opções de tratamento neoadjuvante (quando faz quimioterapia com ou sem radioterapia antes da cirurgia), essa abordagem multimodal pode reduzir o tamanho do tumor tornando esse ressecável, tendo o paciente chances de aumento da sobrevida e até mesmo cura.

O melhor entendimento da doença, associado ao desenvolvimento de tratamento multimodais e principalmente o fator cirurgião especializado fez com que os números da doença melhorassem muito, para se ter uma ideia comparativamente aos anos 80, a mortalidade cirúrgica era de 30%, agora varia de 3-10%, a taxa de ressecabilidade era de 3%, hoje é de 15%, e a sobrevida em 5 anos pulou de 5% para 30-50% nos tumores ressecados. A cirurgia pode ser realizada de forma convencional, por videocirurgia e por cirurgia robótica. As formas de tratamento paliativo também evoluíram muito aumentando a sobrevida e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Dr. Cristiano Vendrame,

Cirurgião Oncológico e cooperado Unimed Chapecó

Foto: Dr. Cristiano Vendrame

 

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