Vivendo e comendo em Portugal

Nos últimos cinco anos houve um aumento significativo no número de brasileiros que emigrou para antiga metrópole. Esse fenômeno se deu basicamente por duas razões: crise econômica e o crescimento da violência. Além disso, há também a facilidade da língua, por que na pátria que educa somente 20% da população brasileira domina outro idioma. Mas uma coisa é passar algumas semanas como turista e outra, bem diferente, é morar. Em primeiro lugar os preços. Um quarto com banheiro e cozinha compartilhados com outras pessoas não sai por menos de 200 euros e um apartamento de um quarto, mobiliado, no mínimo 500. Além disso, os salários pagos em Portugal estão entre os mais baixos da Europa. O clima é bastante parecido com o de Santa Catarina e o tamanho é um pouco menor, embora a população seja maior. Mas tem suas vantagens. No quadrinômio segurança, transporte, saúde e educação o país é realmente muito bom. E a comida? A comida é ótima. São basicamente os mesmos ingredientes, mas é diferente. Nós que estamos acostumados com banana e mamão descobrimos que lá essas frutas são bem inferiores as nossas, bem como a manga e o abacaxi. Em compensação melões, pêssegos e frutas vermelhas são ótimos. Os adeptos do suco de laranja pela manhã certamente vão sair decepcionados pois as laranjas são muuuito azedas. Água de coco nem pensar. No pequeno almoço, que é como eles chamam o café da manhã eles tomam geralmente café, leite e uma tosta mista – o nosso misto quente. Tem muito queijo de cabra, ovelha e queijo de vaca amarelo. Queijo branco não tem, mas o pão em Portugal é até melhor do que na França.

Atenção. Por aqui presunto é o que chamamos de presunto cru. O nosso presunto é chamado de fiambre. Na hora do almoço outra diferença. Por aqui não tem restaurantes por quilo. No sul do país e também na região de Lisboa e Cascais os restaurantes servem uma boa variedade de pratos do dia e aqui mais uma diferença: se come peru o ano inteiro de modo que bifes de peru ao molho de cogumelos são muito comuns, bem como arroz de pato, bacalhau a brás e bolinhos de bacalhau com salada e arroz de tomates. As porções são parecidas com as nossas. Mas não se preocupe, há Mc Donalds, Burguer king, sushis e uma variedade enorme de restaurantes indianos, chineses e também brasileiros. No norte de Portugal é beeem diferente. Menos cosmopolita, mais conservador, muito melhor. Mesmo os mais jovens valorizam a sua gastronomia. Não há self-service, redes de fast food ou sushis. É cozinha portuguesa típica e em porções pantagruélicas. O pequeno almoço é igual em todo o país, mas no Norte eles servem, um menu composto de pão, sopa, uma bebida – peça uma jarra de vinho da casa – prato, sobremesa e café por preços que variam entre 8 e 10 euros. Comem bastante porco, boi e coelho. Tripas e embutidos. Nesse quesito aliás vale provar as alheiras que são linguiças de frango e /ou de caça, bem temperada e engrossada com pão e farinha.

As sobremesas são um pouco diferentes também. Natas do céu, bolo de bolacha, rabanadas com calda de vinho do Porto e pão de ló. Pastel de Belém só em Belém, no restante do país tem pastel de nata. Peixes e frutos do mar: Polvos, lulas, robalos, linguados e sardinhas. Tem também chocos e potas que são primos dos polvos. Poucos mexilhões e ostras, mas muitas amêijoas, navalhas e percebes. E evidentemente bastante bacalhau. As formas mais comuns são: Bacalhau a brás, a Gomes Sá, a lagareiro, com broa, a braga e a zé do pipo.

Outra diferença é que os portugueses jantam. Para quem gosta de beber: Portugal tem mais de 5000 rótulos de vinho. Uma boa parte custa até 7 euros e são ótimos. Tem duas grandes marcas de cerveja: Sagres, no Sul e super bock no Norte. Equivalem as nossas Brahamas e Antárcticas. A boa notícia é que aos poucos eles estão começando a fazer cervejas artesanais de boa qualidade. Destaco a 1927 que pertence a Super bock e a Nortada, cuja fábrica fica na rua Sá da Bandeira, no Porto e onde se pode também tomar as cervejas.

Destilados: ao contrário do que ocorre por aqui, os portugueses não bebem whiski, caipiras e cachaças antes das refeições, somente depois e uma curiosidade: pela lei portuguesa nenhum destilado pode ser servido gelado nos bares e restaurantes.

Caso prefira fazer comida em casa você vai se tornar cliente do Pingo doce e / ou do Continente as duas grandes redes de supermercados do país. O primeiro é um pouco menor que o nosso Angeloni, enquanto o segundo é bem maior. Importante: os sacos plásticos tão comuns por aqui lá eles são pagos e reutilizáveis por isso acostume-se a ir com eles quando for fazer compras. Aliás todo mundo lá faz isso. Por último e muito importante: em Portugal o caminhão de lixo não passa nas casas, mas há enormes depósitos espalhados pela cidade e o recolhimento é feito de madrugada.

Dito isso fica a pergunta que muitos brasileiros me fazem: Vale a pena morar em Portugal? Sim e não. Depende muito da situação da qual você está saindo, das suas expectativas E pretensões e também da sua capacidade de adaptação.

Por

Renato Justo

Chef de Cozinha

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