O isolamento e o lar interno

A casa é uma representação bem concreta do nosso mundo interior. É a manifestação do acolhimento e dos afetos, mas também dos conflitos e desafios mais íntimos. E agora estamos falando de isolamento, de um momento humano e coletivo em que nos unimos em nossas solidões e silêncios, em que abrimos mão de muito do mundo externo para reconhecer nossas fragilidades enquanto espécie. 

Para alguns, a solidão se dá no vazio pessoal em meio ao caos dos laços familiares, na mediação de tudo que pode acontecer em casa, nos pequenos e grandes espaços. Para outras pessoas, a concretização de ser um e de ser só no próprio espaço.

É um momento muito impactante, da história, que estamos atravessando (ou sendo atravessados) e não existe fórmula capaz de acolher todas as demandas individuais, exatamente por ser muito um momento coletivo. Mesmo assim, não precisamos abandonar a vontade de sobreviver da melhor forma possível a esse período.

Não estamos falando aqui da obrigação de ser totalmente produtivo, nem da falsa ideia de que devemos “tirar o positivo dessa situação”. É um caos mesmo. Abracemos o caos. Essa é a proposta. Estamos lidando com uma situação em que nosso controle é mínimo. Além das recomendações sanitárias, podemos fazer pouco. Mas, se for possível dentro da realidade de cada um, por que não olhar para esse pouco? 

O ambiente em que vivemos (e ainda mais onde estamos 100% do tempo) é reflexo das nossas ações, mas também tem grande influência sobre como nos sentimos. E esse é daquele “pouco” que pode ajudar bastante no atual momento. Além de, na medida do possível, manter uma organização física, podemos nos valer de outras pequenas estratégias.

Considerando uma casa com espaço confortável para todos que estão juntos nesse momento, é possível destinar um cantinho de escape para cada pessoa, em que ela possa se refugiar nos momentos necessários. Aqui seria interessante investigar o que tem disponível na casa para, com pouco esforço, montar um cenário num pequeno espaço, por exemplo. Pode ser um tapete com almofadas e ainda acrescentar objetos pessoais que passam segurança emocional. Esse pode ser um espaço para meditar, ler ou apenas respirar por uns minutos.

Outra ideia é criar um ambiente aconchegante para aproveitar a própria companhia ou a família em alguma atividade de distração, como colocar uma manta gostosa no sofá e as almofadas aqui de novo, ou vários travesseiros, para assistir a um filme, jogar cartas ou conversa fora. Talvez criar uma iluminação gostosa com o que tiver disponível, seja uma luminária com luz amarela ou velas. É possível também colocar algum tecido colorido sobre a luminária, criando novos cenários temporariamente. Para um ambiente mais estimulante, por exemplo, um tecido vermelho ou então criar uma luz azul para um momento mais relaxante.

Para quem está trabalhando em casa nesse período, é interessante manter um espaço para o trabalho, que pode ser uma parte da mesa de jantar ou então posicionar uma mesa para o computador num local onde seja possível ter mais concentração. O importante é ter esse espaço físico destinado a esse fim, isso ajuda a organizar nossas ações.

Além disso, tem sido de grande ajuda para algumas pessoas a prática de exercícios físicos, que não exige muito espaço, basta alguma adaptação. É possível encontrar exercícios de alongamento para fazer até mesmo na sacada, em frente ao sofá, ou ainda empurrar um pouco aqui e ali alguns móveis do quarto e criar um espaço para yoga, dança, exercícios de alongamento.  Se for dançar, o tapete do ambiente precisa ser bem seguro ou então é importante removê-lo por um tempinho. Para atividades no chão, uma toalha por cima do tapete e a garrafinha de água são suficientes.

Em meio a tantas incertezas, podemos mudar algumas relações com nosso mundo particular para manter a saúde mental, além da física com a prática do isolamento. Se a realidade vivenciada permite, a casa pode ser um espaço de grande contribuição para essa organização mental, com pequenos ajustes e criatividade. Práticas simples podem nos ajudar a criar um ciclo virtuoso e um pouco mais saudável. Quem sabe seja possível descobrir novos jeitos de fazer e cultivar o próprio lar e o universo interior.

Aconchego na sacada com luzes, mantas e almofadas, para momento de relaxamento
Fonte: homedesignss.com
Pequeno espaço de trabalho organizado, com muita luz natural e planta para dar vida
Fonte: theincogneatist.com

Atmosfera aconchegante com pequenos detalhes, como vela e aromatização do ambiente
Fonte: pollyflorence.co.uk

Por Francielle Colla e Ana C.M.Neves

Cidade: Itajaí

Profissão/ especialidade:arquiteta/especialista em arquitetura de interiores

Telefone:47-99642-3534

Site:www.aportaamarela.com

Email:contato@aportaamarela.com.br

Instagram:aportaamarela_arquitetura

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