Cinco reflexões para lhe ajudar a pensar na saúde mental

As escolhas do dia a dia, somadas às experiências já vividas, fazem a diferença no bem-estar psíquico

O que define uma mente saudável? Difícil precisar, já que cada um, com suas idiossincrasias, vai ser afetado de maneiras diferentes mesmo quando exposto a situações semelhantes. Mas há um amplo espectro de fatores que ajudam a promover o bem-estar psíquico. Alguns estão sob nosso controle, outras independem da nossa vontade.

O psiquiatra Cláudio Meneghello Martins explica que a saúde mental começa na gestação saudável, com uma concepção desejada pelos pais e em que haja um bom vínculo com ambos após o nascimento. Cuidados nutricionais desde a primeira infância e contenção de situações de violência, com promoção da sociabilização da criança, também “vão preparando o indivíduo para as vicissitudes da vida”, conforme o representante da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Passadas essas situações de formação pessoal, que dependem muito mais da família do que do próprio indivíduo, são as escolhas do dia a dia que, somadas às experiências já vividas, começam a fazer a diferença. Manter bons vínculos com amigos, companheiros e familiares; conseguir desenvolvimentos cultural e profissional satisfatórios; ter objetivos e perspectivas na vida; fazer atividades de lazer e também exercícios físicos formam, para Martins, o “cardápio da vida”. Isso não quer dizer que alguém que não consiga cumprir bem essas etapas será infeliz ou terá maior

predisposição a doenças mentais, mas todas elas têm seu impacto no bem-estar de cada um.

Para o criador da campanha Janeiro Branco, que busca conscientizar sobre a importância de cuidar da mente, promover esse “cardápio” dentro de uma cultura da saúde mental ajudaria a prevenir muitos dos problemas que hoje afetam a sociedade.

– Se garantirmos que as crianças brinquem mais, e não que fiquem fechadas com smartphone e tablet no apartamento, que explorem mais seus sentidos, e se permitirmos que adolescentes e adultos conversem mais entre si sobre seus sentimentos, metade dos problemas da humanidade relacionados à saúde mental seriam resolvidos – sugere o psicólogo Leonardo Abrahão.

Como ajudar (ou, pelo menos, não atrapalhar)

Os especialistas concordam que ninguém deve enfrentar os males psíquicos sozinho. E, para isso, é fundamental que quem passa por um problema sinta-se acolhido. Entre amigos, familiares e colegas, tentar compreender a situação que atinge uma pessoa pode, muitas vezes, servir para ajudá-la – ou, ao menos, não desdenhar do mal já contribui para não prejudicar quem passa por isso.

O estigma em relação às doenças mentais significa que frases como “está louco!?”, “não me diz que vai ficar depressivo!” e “para de se importar com isso!” costumam ser empregadas com frequência, deixando implícita a sugestão de que essas são questões com as quais ninguém quer lidar.

– Quanto mais pudermos conversar espontaneamente, sem julgamentos, sem apontar culpados, melhor. É muito comum que pessoas próximas demonstrem intolerância, pensando que quem sofre está apenas fazendo “corpo mole”, mas é preciso se esforçar para compreender esse tipo de situação – destaca Martins, diretor secretário da ABP.

Com cuidado, com interesse e disposição para ajudar, qualquer um pode contribuir para o encaminhamento adequado de um transtorno mental. Às vezes, basta o esforço de alguém próximo que perceba mudanças no comportamento para que a própria pessoa afetada note que algo está diferente.

– É algo que precisa ser feito com cuidado, para que não seja uma simples intromissão na vida alheia. Mas vale alertar a própria pessoa, perguntando: “Você já percebeu que está diferente?”. “Você nunca foi disso, tem certeza de que está bem?”. “Já pensou em procurar ajuda? Tem conversado com alguém?”, e se colocando à disposição, sensibilizando a pessoa para que ela mesma entenda se está em sofrimento – orienta Silvana de Oliveira, presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul (CRP-RS).

Entre as recomendações para familiares e amigos que queiram ajudar quem está demonstrando sinais de sofrimento mental, a psicóloga sugere que não sejam muito críticos, mas também não relevem os problemas de alguém a ponto de achar que são “besteira”. Da mesma forma, a superproteção é outra atitude que pode prejudicar a identificação e o adequado tratamento de um transtorno.

Cinco reflexões

Psicólogos acreditam que promover uma cultura de saúde mental significa falar mais sobre sentimentos, conquistas, frustrações. E também refletir sobre questões que nem sempre ocupam nossas mentes. 

Você já parou para pensar…

1 Na qualidade das suas relações? Elas têm significado, fazem bem a você e aos outros?

No seu equilíbrio emocional? Você tem estado mais desestabilizado, se importando com o que não o incomodava antes?

Nas dificuldades pelas quais tem passado? E tem compartilhado sua situação com alguém? Faz o mesmo com as conquistas?

4 Na sua felicidade? Consegue identificar o que faz você contente e tenta ao máximo chegar lá?

5 Nos seus objetivos? Você identifica um propósito no seu dia a dia, na sua vida?

Para cuidar da mente

Ressaltando que não existem fórmulas mágicas para o bem-estar mental, e que cada pessoa é única, o psicólogo Leonardo Abrahão sugere alguns passos gerais para uma vida mais psicologicamente saudável.

— Mais tempo consigo mesmo, menos culto ao trabalho.
— Mais relações que realmente façam sentido, menos envolvimento com relações vazias, desprovidas de propósito.
— Enxergar a tecnologia como um recurso, e de tempos em tempos deixar ela de lado para assumir o controle sobre a própria vida.
— Menos culto à matéria e às coisas físicas.
— Menos preocupação com objetivos que não são diretamente nossos, como o cumprimento de metas.
— Garantir tempo para o que é realmente importante na vida.

Por GUILHERME JUSTINO / GZH

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