QUEBRANDO TABUS

ATENDIMENTO DE PESSOAS TRANSEXUAIS NA SAÚDE

Dra. Letícia Rodrigues Porciuncula | Foto @marciojrph

Primeiramente, o que é transexualidade?

A transexualidade é uma das diversas possibilidades de identidade de gênero. Quando falamos em transexualidade, falamos sobre pessoas que biologicamente nasceram com caracteres físicos relacionados a um gênero, mas se sentem e se compreendem no outro gênero.

Há diferença no atendimento de uma pessoa trans para um hétero, por exemplo? Ou o que muda é o conhecimento do médico, pois as necessidades dos pacientes neste caso são diferentes?

Para embasar esse tema, compartilho uma das mais célebres e poderosas frases do psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.

Os profissionais precisam estar capacitados para atender as pessoas, independentemente da identidade de gênero, e não deveria diferenciar essa maneira de cuidado para pessoas transexuais. Mas, há uma lacuna no entendimento das especificidades em saúde da população trans e travesti que está associada à formação acadêmica. Há um desconhecimento dos profissionais de saúde em geral sobre o que é um corpo trans e quais são as suas necessidades. Não faz parte dos currículos dos cursos de saúde, de uma maneira geral, que esse tema seja abordado de forma que os profissionais se sintam familiarizados e seguros.

Todas as pessoas trabalhadoras de serviços de saúde devem ser responsáveis por zelar pelos direitos, pela segurança e pela assistência de saúde adequada das pessoas transexuais e travestis.

Quais as maiores dificuldades destes grupos conseguirem o atendimento correto?

O acesso à saúde dessa população ainda é restrito e difícil. A população trans sofre diversos preconceitos, violências e tem seus direitos rejeitados por conta da falta de informação e empatia da sociedade.

Além disso, a falta de conhecimento por parte de profissionais para o atendimento e cuidado de questões específicas da saúde da população trans e travesti é um dos principais problemas apontados na promoção à saúde de forma integral.

Pela Resolução no 2.265, a atenção integral à saúde do transgênero deve contemplar todas as suas necessidades, garantindo seu acesso, sem qualquer tipo de discriminação, aos serviços nos níveis das atenções básica, especializada e de urgência e emergência.

O atendimento aos trans é estruturado em atenção básica e especializada. Explique um pouco para nós.

O cuidado com a população trans é estruturado por dois componentes: a atenção básica e a atenção especializada. A básica refere-se à rede responsável pelo primeiro contato com o sistema de saúde, pelas avaliações médicas e encaminhamentos para tratamentos e áreas médicas mais específicas e individualizadas.

A abordagem da transgeneridade inclui endocrinologistas, psiquiatras, ginecologistas, urologistas e psicólogos.

A especializada é dividida em duas modalidades: a ambulatorial (acompanhamento psicoterápico e hormonioterapia) e a hospitalar (realização de cirurgias e acompanhamento pré e pós-operatório).

Para ter acesso aos serviços do processo transexualizador do SUS, é preciso solicitar encaminhamento na unidade básica de saúde mais próxima da residência. Os procedimentos mais procurados são a hormonização, seguidos de implantes de próteses mamárias e cirurgia genital em travestis e mulheres trans, assim como a mastectomia e histerectomia no caso dos homens trans.

Além do cuidado com a equipe médica, há o acompanhamento com a equipe multiprofissional com: enfermagem, psicólogos, nutricionistas, dentistas e assistente social.

Quais exames de rotina homens e mulheres trans precisam realizar todos os anos?

O seguimento clínico e laboratorial deve ser realizado periodicamente, com o intervalo de tempo entre as avaliações ajustado às necessidades individuais, com o objetivo de acompanhar o desenvolvimento das características sexuais e identificar efeitos adversos relacionados ao uso hormonal e necessidade de modificações na terapêutica.

A avaliação e o monitoramento são realizados com os seguintes exames: hemograma, função renal, eletrólitos, função hepática, avaliação da glicose, perfil lipídico, marcadores para doença sexualmente transmissível, avaliação hormonal, rastreamento oncológico, monitoramento para osteoporose e doença cardiovascular.

“A transição de gênero é um processo que deve ser respeitado e reconhecido como uma mudança especial. São pessoas fortes e guerreiras, que merecem nosso amor e carinho. Esse caminho é, por muitas vezes, difícil e doloroso, mas a força de vontade é o gás que não deixa desistir”.


Dra. Letícia Porciuncula

📱 (47) 9 9944-1380

domiciliarsc@gmail.com

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