Falando de Pato

Os patos tais como o conhecemos, são primos dos cisnes, gansos e marrecos e é uma das aves mais antigas que se tem notícia, havendo relatos de que eles já eram domesticados pelos antigos egípcios e estão distribuídos no mundo inteiro, menos no continente antártico. Na América do Sul, quando os primeiros portugueses chegaram no século XVI, os índios já criavam e caçavam patos selvagens tanto pela carne como pelos ovos.

Eu diria que há basicamente três tipos de patos: os selvagens que são caçados em determinadas épocas de acordo com a espécie; os domésticos criados a moda “caipira”, assim como as galinhas e os criados industrialmente para a comercialização da carne. Os patos selvagens e os domésticos criados soltos têm a carne mais dura e mais escura. A carne do pato é muito saborosa e a sua cor mais escura se deve a sua alimentação que inclui, além do milho, pequenos insetos e peixinhos.

Os peitos normalmente são servidos grelhados e as coxas normalmente são confitados, ou seja, cozidas lentamente em sua própria gordura. Também podem ser cozidos, ou assados ou fazer deliciosas terrinas.

FOIE GRAS: Significa literalmente fígado gorduroso e pode ser obtido tanto do pato como do ganso, sendo que o desse último é bem mais valorizado por causa do seu sabor. Essa é uma iguaria das mais antigas que existem. Os antigos romanos os alimentavam com figos e mel. Hoje em dia é utilizado basicamente milho. Para aqueles que os apreciam, e aí eu me incluo, trata-se uma cirrose. Isso mesmo. A alimentação forçada faz com o pato chegue até a 8 quilos e o seu fígado, que normalmente pesaria no máximo 50 gramas, chega a atingir até 660 gramas. Atualmente sua produção é bastante controversa pois trata-se de uma crueldade com os animais. Ok, mas é bom então esclarecermos algumas coisas: a galinha que compramos no supermercado e cujo peito é o queridinho das dietas é criada de forma intensiva e à noite as luzes são acesas para que elas não percebam que é noite e está na hora de dormir e, consequentemente, não parem de se alimentar. Sua curta vida de 45 dias é um stress do dia em que nascem até a hora do abate. Mais uma: comeu tainha esse ano? Espero que sim. Eu adoro, mas você já assistiu um lanço? É fantástico ver aquele monte de peixes pulando e se debatendo não é mesmo? Saiba que na verdade elas estão morrendo sufocadas, pois fora da água não conseguem respirar. É uma agonia que dura uns bons 15 a 30 minutos. Então meu caro defensor dos animais, quando levantar o dedinho ou abrir a boca para protestar contra o foie gras, seja coerente e lembre-se das galinhas e das tainhas. A propósito, caso encontrem no menu de algum restaurante da nossa região “magret” de canard o mmias provável seja peito de pato, porque o magret é retirado dos patos que foram engordados para produção de foie gras e o seu peso chega até 600 gramas cada, enquanto o peito tem em torno de 200 gramas.

PATO AO TUVCUPI: é a única receita genuinamente brasileira. Feita com o tucupi – suco extraído da mandioca brava – e jambu uma erva típica da região norte do Brasil e que deixa a boca levemente dormente. O arroz de Pato é um clássico da cozinha portuguesa e muito fácil de ser preparado por qualquer dona de casa. Você vai precisar de: 01 pato inteiro; 03 cebolas cortadas em cubos grandes, 01 cenoura grande em cubos, 05 dentes de alho picados, 01 maço de salsa picada, ½ garrafa de vinho branco seco, 01 chouriço português – na falta use uma linguiça Blumenau sem a pele, um bom maço e aspargos, 500 gramas de arroz parboilizado. Modo de fazer: corte o pato nas juntas e refogue em uma panela funda, de preferência com azeite. Junte 02 cebolas e a cenoura e aloure. Ponha o vinho, os talos de salsa e as folhas de louro e deixe quase secar. Cubra com água e cozinhe até o pato ficar macio. Retire o pato, coe o caldo e reserve. Desfie o pato grosseiramente e reserve.  Limpe e cozinhe os aspargos e corte cada um em 5. Em uma panela esquente um pouco de azeite e frite levemente a linguiça cortada em rodelas, junte o alho e a cebola e refogue, coloque o arroz misture bem e ponha 1 litro de caldo. Quase ao final do cozimento junte a carne do pato e os aspargos, confira o tempero com sal e pimenta do reino branca, tampe a panela e desligue o fogo. Deixe assim por aproximadamente 30 minutos. Na hora de servir, esquente um copo do caldo de pato e coloque por cima. Rende aproximadamente 6 porções. Para acompanhar nada como um bom tinto português da região do Douro. Bom apetite!

Por

Renato Justo

Chef de cozinha