A importância do diagnóstico precoce na reumatologia

As doenças reumatológicas podem afetar indivíduos de todas as faixas etárias. Algumas afetam mais os homens, outras, as mulheres. São mais de 120 doenças que afetam o aparelho locomotor (tendões, articulações, músculos e ossos) e também outros órgãos internos. As doenças podem ser degenerativas, como a artrose e osteoporose, ou doenças auto-imunes, como as artrites e o lúpus, por exemplo. Essas últimas podem ter uma evolução leve, moderada ou evoluir com sequelas irreversíveis e até mesmo o óbito, em alguns casos. A realização do diagnóstico e tratamento precoces ajudam a evitar uma evolução desfavorável. E como fazê-lo? Preste atenção no seu corpo. Sentir dor não é normal. É comum as pessoas esperarem a dor incapacitar as atividades do dia a dia para procurarem o médico. Dores persistentes nas juntas, com edema ou não, que melhoram ou que pioram com as atividades diárias e/ou repouso devem ser investigadas, independente da sua idade. Algumas doenças reumatológicas podem afetar qualquer órgão do nosso corpo, fato que torna o diagnóstico da doença, em alguns casos, difícil de ser realizado. Outros sintomas possíveis são: a presença de aftas orais ou genitais de repetição, lesões de pele como feridas, descamação, vermelhidão, cólicas abdominais e fezes com sangue ou enegrecidas, tosse com sangue, falta de ar persistente, alterações na função do rim, como redução do volume de urina, perda de força ou dormência em uma ou mais partes do corpo, dentre vários outros. A lista de sinais e sintomas é extensa. Importante é que você não demore a procurar por um profissional competente. Portanto, fique atento aos sinais de seu corpo. A  Sociedade Catarinense de Reumatologia (SCR) alerta, as doenças reumatológicas tem tratamento. Quanto mais precocemente você procurar ajuda médica, maiores serão as suas chances de recuperação e controle de sua doença, com prevenção de incapacidades funcionais, redução do tempo de afastamento do trabalho e melhora da qualidade de vida.

Por

Fernanda Vicente da Costa Moresco

Reumatologista e membro da Sociedade Catarinense de Reumatologia (SCR)

Reumatologista é fundamental para tratar sintomas de doenças como dengue, zika e chikungunya

Dados divulgados pela DIVE alertam para o aumento de focos do mosquito Aedes aegypti no último ano em Santa Catarina

Os verões têm trazido um alerta à saúde da população brasileira, já que é na estação mais quente e chuvosa do ano que o mosquito Aedes aegypti se reproduz, sendo o responsável por transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya. Em Santa Catarina, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE) acaba de divulgar que foram identificados 15.886 focos do mosquito Aedes aegypti em 164 municípios somente em 2018 – um aumento de 37,4% no número de focos em relação ao ano anterior. A DIVE alertou ainda para o número de casos de dengue e chikungunya notificados no período: foram 56 em todo o Estado.

Reumatologia no tratamento

O que a maioria da população desconhece é que o médico reumatologista é fundamental para o tratamento de alguns sintomas de dengue, zika e chikungunya, já que estas doenças podem acometer as articulações. Conforme a médica reumatologista e presidente da Sociedade Catarinense de Reumatologia (SCR), Mara Suzana Cerentini Loreto, de Blumenau, o reumatologista é importante não só no período de tratamento, mas também na prevenção de síndromes crônicas que podem comprometer a qualidade de vida do paciente no futuro.

A também médica reumatologista e vice-presidente da SCR, Adriana Fontes Zimmermann, de Florianópolis, diz que geralmente o quadro de dor nas articulações melhora em algumas semanas, porém há casos em que a dor pode se tornar crônica, levando a lesões articulares irreversíveis se não tratadas adequadamente. “O reumatologista pode atuar nos sinais e sintomas musculoesqueléticos mais intensos e persistentes, que não melhoram com analgésicos. O tratamento ocorre com medicamentos anti-inflamatórios e para controle do processo de artrite”, destaca a doutora Adriana.

Essas dores, segundo a vice-presidente da SCR, podem durar de alguns dias a semanas ou meses. No caso da chikungunya, o paciente pode desenvolver um quadro de artrite crônica, se não tratado adequadamente.

Alerta para os sintomas de cada arbovirose (dengue, zika e chikungunya)

Os sintomas dessas doenças, consideradas arboviroses, são muito semelhantes e requerem atenção, pois se não tratadas corretamente podem deixar sequelas ou até mesmo levar à morte. Conforme a doutora Mara, as arboviroses podem apresentar sintomas como febre alta, dor de cabeça, cansaço, manchas avermelhadas, dores no corpo e nas articulações. “É preciso atenção aos sinais do corpo e procurar o médico o mais rápido possível”, alerta a reumatologista.

A reumatologista explica que na dengue a dor ao redor dos olhos ocorre com maior frequência, e as lesões na pele surgem mais tardiamente do que na febre chikungunya. Todavia, a principal diferença é o acometimento das articulações. A dengue pode causar dor articular, mas ela não costuma ser tão importante quanto a dor nos olhos ou a dor muscular. Já na febre chikungunya, ao contrário, a dor ocorre em várias articulações e é um dos sintomas mais frequentes, acometendo principalmente mãos e pés, podendo levar inclusive à incapacitação, pelas intensas e prolongadas dores articulares.

A infecção por zika vírus causa febre com duração de três a seis dias e sintomas como conjuntivite, cefaleia, dor nas articulações por inflamação, perda da força física e erupções na pele. “Em alguns casos, pode levar à síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune neurológica, que causa fraqueza muscular generalizada e paralisia, e ainda síndrome congênita do zika nos recém-nascidos”, destaca a doutora Mara.