As cores e suas influências na decoração dos espaços

Na CASACOR Santa Catarina elas dão o tom não só às paredes, mas também às pinturas de diferentes artistas convidados

As cores têm o poder de influenciar o dia a dia das pessoas e na decoração não é diferente. Quando se fala em repaginar ou dar cara nova a um ambiente, pintar uma parede ou mesmo um móvel pode fazer toda a diferença. Além de embelezar o espaço, o uso de uma nova cor pode atualizar, renovar a atmosfera, esconder pequenas imperfeições e ainda transmitir sensações.

“O uso de cores vem ganhando espaço na composição do design de interiores. O profissional já pensa na cor no desenvolvimento do projeto. Com um leque de opções, infinitas são as possibilidades de criações a partir das cores. Você pode pintar parede e teto de uma mesma cor ou colorir apenas um nicho dela para compor com um quadro. As cores ainda podem delimitar, setorizar ambientes, trazer a energia da natureza para dentro de casa. Cor é sensorial”, pontua Priscila Peres,  especialista de Colour Designer da Tintas Coral na América do Sul.

Na edição 2021 da CASACOR Santa Catarina, um mix de ideias de como os profissionais aproveitaram as cores na ambientação dos projetos. Confira alguns exemplos:

Galeria A Trajetoriah!


Quem disse que os corredores são apenas para passagem. A dupla Vanessa Buonomo e Gabriela Dutra, do Infinitah Projetos, mostrou que com criatividade é possível transformar este espaço em um local atrativo, de pausas para observação e contemplação. Elas assinam o Trajetoriah!, ambiente que compreende toda a circulação da mostra, ocupando áreas do subsolo, térreo, primeiro andar e ático do Espaço + UM, empreendimento de Florianópolis que recebeu a CASACOR deste ano. “Inspiradas no lado positivo da trajetória da pandemia, transformamos todos os corredores e escadas em uma galeria de arte com muita cor e alegria”, destacam.  

Arte de Gugie Cavalcanti / Crédito Lio Simas

Aliás, neste projeto as cores aparecem não só nas paredes, mas também nos trabalhos dos artistas convidados para expor. No primeiro andar os visitantes encontram a representação das mudanças e adaptações que ocorreram dentro da casa. Um dos cantinhos demarcado pelo tom terracota (cor: Extremo Sul) e painéis que mesclam madeira ipê e tauri abriga o que as profissionais denominaram de espaço dos hobbies, destacando exemplos de habilidades que muitas pessoas buscaram para aliviar a mente e alegrar o coração durante o isolamento, como a música, o crochê e tricô, o origami e a leitura, uma viagem sem sair de casa. 

Crédito Lio Simas

Ainda no mesmo pavimento, no lado oposto, o amarelo (cor: Rapadura Nordestina) traz a energia do sol para o nicho do escritório, tom que ajuda a ativar a concentração na hora de trabalhar. As telas ‘Esperança’ e ‘Redenção’ de Driin, que como os próprios nomes já dizem, remetem a dias melhores. O artista escolheu uma paleta de 21 cores para as criações, feitas especialmente para compor a galeria pensada pelas designers de interiores. Na primeira, por exemplo, Driin usou uma mistura usando os tons das cores Ouro Monarca, Deus Sol, Olhar Encantador, Cortina de Tango, Canto da Baleia, Firmamento, Lua Crescente, Laranja Festa e Destino.

Seguindo para o ático do prédio, as obras das paredes laterais da escada, que têm como fundo a cor Azul Turquia, retratam o respeito. Na parede principal as cores em degradê (Porto Azul, Raio de Luz e Rosa Açaí) remetem ao pôr do sol e servem de base para a arte expressiva arte de Gugie Cavalcanti, onde a criança com asas admira o revoar das borboletas do pendente de Diego Rutkowski, que juntamente à andorinha de Driin, celebram a liberdade.

“Na nossa opinião, as cores traduzem, provocam e ativam emoções. E o conceito da galeria é embasado nas emoções e transformações que vivenciamos em toda trajetória da pandemia.  A cor traz para o mundo real as mais silenciosas sensações e provocam em nós e no outro a percepção de que algo está diferente. Cor é vida”, destaca Vanessa .

Veredas Autoria Design


A obra ‘Grande Sertão: Veredas’, do romancista brasileiro João Guimarães Rosa, foi a inspiração da arquiteta Natália Xavier para a criação do Veredas Autoria Design, pensado para valorizar e homenagear designers brasileiros e suas obras.


No ambiente de 70 metros quadrados que acomoda sala de estar e jantar chama atenção o tom vibrante e quente de terracota que valoriza ainda mais a obra ‘Leques de Quintal’, de Lairana. A brasilidade – que tem a ver com o tema Casa Original trazido pela CASACOR – ainda é ressaltada na exposição do cabideiro Tarsila e poltrona de balanço Gisele, de Aristeu Pires, e no banco Abaporu, de Alfio Lisi. 

Crédito Lio Simas

Até o nome do tom escolhido – Grandes Sertões – está em sintonia com o espaço. A parede transversal também ganhou a mesma tonalidade e fez sobressair o trabalho de Yana Coelho,  feito de casca de pereiro preto e casca de sapucaia, ambas cascas do sertão brasileiro.

Crédito Lio Simas

“Eu quis remeter a identidade nordestina com esta cor que traz uma característica típica dos trabalhos indígenas e que ilustra os tons do sertão brasileiro. Tendo como referência o designer baiano Aristeu Pires, ainda incorporei elementos que trouxessem a essência da naturalidade dele para dentro do projeto, com o uso de artefactos, texturas e cores”, explica Natália. 

Wine bar Pra lá de Marrakech

Luz indireta e cores que abraçam criam o cenário intimista e convidativo do Wine Bar Pra Lá de Marrakech, ambiente operacional dentro da mostra, assinado pela designer de interiores Alessandra Casagrande. 

Crédito Mariana Boro

A intensidade do vinho e toda a energia de Marrakech, conhecida como a Paris do Saara, aparecem não só nos minuciosos detalhes, mas nas cores escolhidas e sensações que estas despertam. A começar, por exemplo, pelo teto e parede dos arcos que receberam a cor Vinho Sofisticado, versão exclusiva desenvolvida especialmente para o espaço, com efeito de cimento queimado. Na parede de boiserie, outro tom de vermelho, desta vez o Pitanga Madura. Completam os tons característicos de Marrocos na cenografia do wine bar o verde Jóia da Coroa e o Ouro. Uma arquitetura repleta de estímulos por meio das cores.

Crédito Mariana Boro

“Foi a partir das restrições impostas pela pandemia que tivemos a ideia de conceber um espaço que nos transporte para um outro lugar e cultura. Os estímulos provocados principalmente pelas cores, texturas e detalhes enriquecedores, nos levam para além deste tempo acinzentado que vivemos. Pra Lá de Marrakech foi concebido para despertar as boas sensações”, explica a autora do projeto.

Cosmopolitan Loft

A arquiteta Mariana Pesca projetou o Cosmopolitan Loft bem monocromático propositalmente, para transmitir leveza. Duas paredes, porém, destacam o oposto, com bastante expressividade. Isso porque elas se transformaram numa tela para o trabalho da artista plástica Camila Saavedra.

Crédito Rafael Ribeiro

Os tons escolhidos trazem uma paleta de outono, com variações entre os verdes e os rosés em uma pintura com elementos geométricos e uma sequência que transborda para o teto. As cores Trilha Verde, Tradição, Jardim Misterioso, Mostarda em Grão, Vinho do Porto, Branco e Preto, em tinta acrílica, vão do puro ao espatulado, com sobreposições e efeitos executados pela própria artista. 

Crédito Rafael Ribeiro

Sobre esta intervenção, obras de outros artistas dialogam, confirmando que a arte está sempre aberta e inacabada, sendo concluída a cada olhar, a cada troca com quem a observa e aprecia.

Casa de Aromas

Quem também optou por fazer um ambiente monocromático foi o arquiteto Leandro Sumar, que nesta edição foi convidado a projetar a Casa de Aromas da Mels Brushes. 

“Criei um espaço com diversos estilos, revelando o clássico, o rústico e o industrial, todos eles harmonizados numa base neutra. As cores ganham notoriedade na arte de Lucas Gonçalves, que a pedido, criou algo que traduzisse o conceito da loja”, ressalta.

Crédito Lio Simas

Os desenhos de  magnólia, alecrim, figo e tangerina pintados na parede fazem conexão direta com o espaço, já que materializam algumas das essências usadas para a produção dos aromas.

Crédito Lio Simas

As artes que humanizam a Casa de Aromas foram desenhadas em preto. As cores Arroz Dourado e Prata Fina, que dão continuidade ao tons que já aparecem em outros itens do décor, arrematam com elegância as pinturas.

Camadas Brasileiras

Crédito Mariana Boro

Camadas de cores e texturas que representam a diversidade do Brasil dão o tom ao ambiente Camadas Brasileiras, de autoria da arquiteta Juliana Pippi. As nuances terrosas aparecem nas tramas por todo o espaço. A contar pelo teto tingido com a cor lançamento da Coral, batizada de “Camadas Brasileiras”, e utilizada como elemento de arremate e equilíbrio. 

Obs.: Todas as cores citadas são das Tintas Coral, patrocinadora da CASACOR.

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PATROCINADORES CASACOR / SANTA CATARINA 2021

Deca, Tintas Coral, Espaço +UM, SCGás, Unifique, SETUR, Favretto, SEVEG.

Sobre a CASACOR

Empresa do Grupo Abril, a CASACOR é reconhecida como a maior e mais completa mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas. A mostra reúne, anualmente, renomados arquitetos, decoradores e paisagistas e em 2021 chega à sua 35ª edição em São Paulo, com 15 praças nacionais (Bahia, Brasília, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Ribeirão Preto), e mais quatro internacionais (Miami, Bolívia, Paraguai e Peru).

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